segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

16 – Pepi, Luci, Bom (Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón) – Espanha (1980)


Direção: Pedro Almodóvar
Pepi (Carmen Maura) é uma mulher louca, que faz tudo muito depressa. Bom (Olvido Gara), uma sádica líder do grupo Bomitoni, é sua melhor amiga. Um dia conhece Luci (Eva Silva), a esposa de um policial que violentou Pepi ao encontrar vasos de maconha em seu apartamento. Nasce entre as três uma grande amizade, resultando em transformações na vida de cada uma.


Primeiro filme de Pedro Almodóvar.


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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

15 – Infância roubada (Tsotsi) – África do Sul (2005)


Direção: Gavin Hood
Uma noite, após sair de uma briga de bar, Tsotsi, um jovem que comanda uma pequena gang na periferia de Johanesburgo, rouba um carro. No entanto, algo que ele não previa acontece, gerando uma série de conflitos que Tsotsi vai precisar aprender a lidar, mas que pode resultar em uma tragédia.

Mais uma boa produção sul-africana, com ação “a la Hollywood” tendo como pano de fundo os guetos do  país.

Em Tsotsi o roteiro é previsível, seguindo passo a passo a “jornada do Herói”. Mas, por ser bem feito, carrega consigo uma dose de originalidade – talvez pelo próprio cenário e idioma, não tão habituais.

Lembra um pouco Viva Riva!, mas não tão complexo e com uma carga dramática maior. Não deixa de ser uma produção interessante, boa de se ver e que traz uma representação social muito próximo do que estamos acostumados aqui no Brasil.

PS - Confiram a crítica de "Tsotsi", feita por Alexandre Caetano no blog "Artigos de Cinema".


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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

14 – Olhos roubados (Otkradnati ochi) – Bulgária (2005)


Direção: Radoslav Spassov
Essa é a estranha história de amor entre uma professora muçulmana de origem turca e um militar búlgaro responsável pela limpeza étnica que força os muçulmanos a trocar de nome.

A loucura em tempos de ódio e a loucura em tempos de amor.

A loucura e a guerra fria, o massacre cultural de um povo, o autoritarismo de Estado e a violência militar.

A loucura e a inocência, o perdão, a pureza e o afeto.

Se é para viver em um mundo louco, melhor que seja com amor.

Olhos roubados tinha tudo para fazer chorar. Mas tem a proeza de fazer sorrir.


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sábado, 8 de fevereiro de 2014

13 – O jarro (Kromreh) – Irã (1992)


Direção: Ebrahim Foruzesh
Em meio ao deserto iraniano, numa escola, o único jarro que serve de recipiente para os alunos beberem água quebra.

Um jarro. E com ele toda uma representação cultural de um povoado iraniano. E, com ela, um recorte humano: a bondade, a maldade, a humildade, a leviandade, a ingenuidade, a coletividade. A arte de ser professor. A dor e a alegria de educar.


Um roteiro simples e que não se perde em nenhum momento. Escrito de uma forma bastante inteligente, dirigido com a sensibilidade necessária para transmitir a naturalidade dos acontecimentos e interpretado de forma contundente. O jarro é um belo filme, que deixa qualquer iraniano com orgulho!


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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

12 – Cine Holliúdy (idem) – Brasil (2012)


Direção: Halder Gomes
Interior do Ceará, década de 1970. A popularização da TV permitiu que os habitantes da cidade desfrutassem de um bem até então desconhecido. Porém, o televisor afastou as pessoas dos cinemas. É aí que Francisgleydisson entra em ação. Ele é o proprietário do Cine Holiúdy, um pequeno cinema da cidade que terá a difícil missão de se manter vivo como opção de entretenimento.


Personagens caricatas, roteiro previsível e abordagem superficial. E ta í a magia do cinema: o filme é bom. É bom porque faz rir. É bom porque provoca nostalgia. É bom porque abre as portas do cinema cearense. É bom porque faz bem. O resto é mero detalhe.


E teve exibição de Cine Holliúdy no Cine Az, cujo convidado comentou:
"Fantástico!!! A Kaiser intensificou as emoções."


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

[ESPECIAL] Eduardo Coutinho


2 de Fevereiro de 2014. Yemanjá. Final de festa. Lá pelas tantas da noite, por um acaso, pego o celular. Tinham 7 ligações perdidas e uma mensagem de um amigo: “Eduardo Coutinho foi assassinado! Pelo filho! Barril!!”.

Eu não sei o que me deixou mais perplexo, se foi a forma brutal de sua morte ou se foi a sua morte. Eduardo Coutinho é uma daquelas pessoas que não morrem nunca. E como poderia estar morto? Como poderia ter sido dessa forma?

Eu só fui “conhecer” Coutinho no final da faculdade. Me encantei. Meu TCC foi sobre ele. Analisei Edifício Master e Babilônia 2000 a partir de uma perspectiva cinematográfica e da comunicação comunitária. Acho que nos 6 meses de TCC/Coutinho eu aprendi mais do que nos 6 anos de faculdade. O profissional que eu sou hoje tem Coutinho como premissa e norte. O ser humano que eu sou, também.

Passei 6 anos no curso de Comunicação. Tive ótimos professores. Mas foi com Coutinho, com Socorro e com Tânia, que eu aprendi algo que eu levo para a vida toda: comunicar não é só falar, comunicar é, sobretudo, ouvir. É dialogar. Parece extremamente simples, mas não é.

Ouvir o outro. Se responsabilizar pelo outro. Deixar o outro ser exatamente aquilo que ele quer ser. Entender que nós e o outro somos produto do presente. Que o que fazemos hoje, agora, nesse exato instante, não nos define nem nos rotula. Simplesmente somos e podemos ser a qualquer momento.

A ficção, a verdade, a mentira. Não há brasileiro algum que tenha agregado tantos elementos ao cinema-documentário como Coutinho. O cara era tão foda, que ele se desafiava e resinificava tudo aquilo que ela acabara de fazer. Quando você achava que ele tinha alcançado o ápice do experimento estético, ele aparecia com algo inovador.

É inacreditável que uma pessoa como Coutinho morra.

Existem algumas poucas pessoas que me iluminam. Coutinho é um deles e para sempre será. Eu, como Ser Humano e Comunicólogo, tento sempre abandonar meus pressupostos, descer do meu pedestal, relativizar minhas certezas e enxergar o outro como único. Saber que eu sou só mais um. E que o outro é algo que eu nem imagino, por mais rótulos que ele possua e mais inivisibilizado que ele seja. Mas, paradoxalmente, saber que cada um de nós é capaz de influenciar irreversivelmente a vida do outro. Como Coutinho fez comigo e, certamente, com as centenas de personagens com quem ele se conectou ao longo de suas obras.

Não teremos mais Coutinho para nos ensinar algo novo. Nos resta fazer o melhor possível com o que aprendemos.

No primeiro parágrafo do prefácio do livro “O Documentário de Eduardo Coutinho: televisão, cinema e vídeo”, de Consuelo Lins, há uma boa definição sobre Coutinho: “Num pequeno livro de entrevistas intitulado O único e o singular, o pensador Paul Ricoeur responde assim a uma pergunta sobre o sentido da responsabilidade: “Onde há poder, há fragilidade. E onde há fragilidade, há responsabilidade. Eu diria que o objeto da responsabilidade é o frágil, o perecível que nos solicita. Porque o frágil está, de algum modo, confiado à nossa guarda. Entregue ao nosso cuidado.” Esta é uma boa síntese da obra de Eduardo Coutinho.”

Há alguns anos, participei de um concurso de crítica, analisando Jogo de Cena. E foi justamente a relação de poder utilizada por Coutinho que eu destaquei. É incrível como a cada filme ele abdicava de sua confortável posição poderosa, de alguém que tem um status e uma câmera na mão, apontada para a cabeça do outro. Seu exercício era de horizontalizar cada vez mais a relação com seus personagens filmados e se tornar cada vez menos dono de seus próprios filmes.

Esse exercício também alcançava algo que é sua marca: a ética. A ética de Coutinho é tanta que se confunde na própria estética de seus filmes. Sua ética é a sua própria estética. Uma não existiria sem a outra.

Saber lidar com o poder. Enxergar o outro como protagonista. É por isso que Coutinho, suas obras, sua ética e seu senso de responsabilidade são premissas fundamentais para quem quer ser policial, professor, comunicólogo, presidente da república ou cineasta. O outro. Essa é a verdadeira revolução. E nenhum cineasta alcançou o outro tão bem quanto Coutinho.

“Eu estou interessado em conhecer, não posso transformar o mundo com um filme, já sei disso há mais de 20 anos. Se pudéssemos transformar o mundo com um filme, não sei se eu seria capaz de fazer esse filme. Temos de ter dados sensíveis, e os filmes podem dar esses dados. Se você não conhece não pode transformar direito”.

Que Yemanjá acalente sua alma. E que os brasileiros não o deixem cair no esquecimento.

“Tudo isso depende da saúde física, da saúde moral, da vontade, enfim, tudo é sempre contingente, tudo é uma possibilidade. Se fosse daqui a um mês... Mas daqui a seis meses, eu não sei o que isso pode significar, e é nessa coisa duvidosa que a gente vive. Só sei que será um filme sem pesquisa e em um universo distante, o que torna a filmagem mais irreversível. Ou dá certo ou não dá...”


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*Pacote de torrent com a filmografia quase completa de Eduardo Coutinho:
O homem que comprou o mundo (1968)
Faustão (1971)
Seis dias de Ouricuri (1976)
Teodorico, o imperador do sertão (1978)
O fio da memória (1991)
Babilônia, 2000 (1999)
Edifício Master (2002)
Peões (2004)
O fim e o princípio (2005)
Jogo de Cena (2007)
Moscou (2009)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

11 – A educação proibida (La educación prohibida) – Argentina (2012)


Direção: German Doin, Verónica Guzzo
O documentário debate os modelos atuais de educação, considerados anacrônicos, defasados e prejudiciais à formação das crianças e jovens. Essa produção independente questiona esse modelo e propõe novas perspectivas para a educação, com base em experiências de centros educacionais de diversos países da Europa e América do Sul.


O filme traz um debate fundamental e indispensável sobre o modelo educacional que queremos para o mundo que queremos. O debate entre os personagens e a extensão desse debate entre os que o assistem são os pontos altos da obra. Senti falta de apresentarem de forma mais clara as experiências das "escolas" que utilizam novos modelos - se passou um tempo exagerado para criticar o modelo atual e pouco tempo para mostrar as novas possibilidades e os resultados que se tem obtido. Isso sem falar nos apelos dramáticos que enfraqueceu o filme. Mas, é possível relativizar esses dois pontos e se pautar na questão central: é preciso discutir o modelo de educação. É preciso mudar o modelo de educação.



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Torrent + Legenda

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

10 – Tabu (Tabu) – Portugal (2012)


Direção: Miguel Gomes
Uma idosa temperamental, uma empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o mesmo andar em um prédio em Lisboa. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado.

Fiquei admirado com a fotografia, mas incomodado com a estética. Tabu é um daqueles filmes em que você continua olhando fixamente para a tela por alguns minutos após o seu término. Pensando: “que porra é essa?”. Tentando organizar na mente tudo o que acabou de ver.

Desceu indigesto, mas não ruim. Fiquei pensando nas razões que levaram o filme de Miguel Gomes a ser tão reverenciado. Não entendia, mas não discordava. Precisei ler muito, diversas críticas e análises para, aos poucos, ir digerindo o filme. Continuo sem compreendê-lo como eu gostaria, mas concordo que é um filme espetacular, mágico, que exige do espectador um mergulho por toda a sua profundidade cinematográfica.


Aquele querido mês de agostotambém é estranho e eu gostei muito. Já Tabutalvez seja ainda melhor quando revisto. Mas, de antemão, reconheço: Miguel Gomes é um diretor diferenciado, incomum. Com ele, o cinema só tem a ganhar.


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domingo, 26 de janeiro de 2014

09 – Faroeste Caboclo (idem) – Brasil (2013)


Direção: René Sampaio
João do Santo Cristo deixa Salvador em busca de uma vida melhor e parte para Brasília, onde se envolve no tráfico de drogas. Lá, no entanto, conhece Maria Lúcia, por quem se apaixona, mas terá de rivalizar com o também traficante Jeremias. Adaptação para o cinema da canção "Faroeste Caboclo", da banda brasiliense Legião Urbana.

Uma música que, por si só, já é cinematográfica. Quem já escutou e cantou a canção provavelmente já criou a sua própria representação imagética. Cada brasileiro que tem a Legião Urbana em seu repertório já criou o seu próprio Santo Cristo, sua própria Maria Lúcia e seu próprio Jeremias. Cada um de nós já montou em nossas mentes a cena de Santo Cristo sendo estuprado na prisão, roubando o dinheiro que as velinhas colocavam na caixinha do altar e, finalmente, sendo morto no duelo às duas horas, na Ceilândia, em frente ao lote 14.

Ou seja: René Sampaio já começou em desvantagem. Como se não bastasse o desafio de filmar uma das mais importantes canções de uma das mais importantes bandas do país, ele ainda teve que concorrer com milhões de brasileiros – e futuros espectadores – que já possuíam o seu próprio filme construído na sua cabeça. Portanto, a chance de frustrá-los era enorme. E foi o que aconteceu.

Pelo que li em diversos comentários, o filme foi uma decepção. Mas não para mim. Talvez porque eu tenha visto sem sete pedras na mão, como um fã desconfiado que assiste pensando “quero só ver o que esse cara fez com a música do meu ídolo”. Eu vi sem muita desconfiança, talvez seja por isso que eu tenha gostado e reconhecido o bom trabalho do diretor.

Evidente que não é nenhuma obra-prima do cinema nacional. Mas, é um filme que merece ser visto e respeitado. Acho que Renato Russo teria gostado.


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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

08 – Tampopo – os brutos também comem spaghetti (Tampopo) – Japão (1985)


Direção: Juzo Itami
Tampopo (Nobuko Miyamoto) é uma viúva dona de restaurante determinada a dominar a arte do ramen - tradicional macarrão de origem chinesa. Em sua saga ela recebe é orientada por Goro (Tsutomu Yamazaki), um misterioso motorista de caminhão especialista no assunto.

Em Tampopo o cardápio principal são os alimentos. Do começo ao fim. E está presente em todas as passagens do filme: no sexo, na morte, na briga, na festa, no amor, na maternidade.

Não me assustaria se descobrisse que o diretor na verdade é um chef de ofício, que resolveu fazer um filme para testar os seus dotes e divulgar as suas receitas.

Apesar de não ser nenhuma iguaria, Tampopoenche a barriga. Desafio qualquer um a assisti-lo e, no final, não correr para a cozinha preparar algo para comer. No meu caso, tentei imitar o prato principal do filme. Cozinhei o macarrão do miojo, depois aproveitei sua água ainda quente e dissolvi o pó do tempero artificial, para servir de sopa. Joguei a massa e a sopa em um tapwere (uma tigela improvisada), acrescentei ovo cozido e umas sobras da geladeira: frango desfiado, com pedaços de pimentão, cebola e tomate bem refogados. E ficou muito bom! Na falta de saké, bebi uma cachacinha mineira. Na falta dos pauzinhos: colher e garfo. E, assim, saciei minha fome, provocada pelo filme.

Assista Tampopo e invente a sua própria receita!!!


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